Solavanco. Passageiros arremessados para a frente. Corpos curvando-se para trás. Ele, que abrira sua carteira para pagar ao cobrador, deixou cair uma moeda de vinte e cinco centavos. Caprichosamente rolou para a porta recém aberta, desceu a escada do ônibus aos pulos e continuou obstinada em seu curso pela calçada.
Logo ao lado, ela comprava uma revista na banca. Após minuciosa escolha, optara por uma importada sobre moda. Preparava-se para pagar, contando seu dinheiro, quando a freada soou assustadora. Com o sobressalto, uma das moedas de vinte e cinco centavos caiu na calçada e seguiu, rolando, um curso incerto.
Magicamente no sol da tarde, em meio aos pés passantes e ao barulho dos carros, ambas as moedas encontraram-se ao lado de um poste. Caíram juntas, cumprindo seus destinos de conto de fadas. Enquanto isso, os olhos dele afastavam-se dos dela, conduzidos pelo ônibus que retomara seu curso infinito.
Cumpre acrescentar que naquele instante as moedas eram levadas pelas mãos sujas de uma pobre alma.
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