segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Enredado

Pediu licença e deixou a sala. Parecia calmo. Não estava. Ao contrário, chegava próximo ao desequilíbrio completo. Talvez nunca mais voltasse a ser o mesmo. Mas nada transparecia. Num esforço sobrehumano.


Entrou rapidamente no banheiro. Estava vazio. Suspirou, olhando-se no espelho. Tristeza. Um homem sério. Zeloso com sua imagem. Sem ser rico, precisava ser respeitado. Sempre fora. Sempre.


Agora, aquela situação. Humano, errara. Deixara-se seduzir. Fraco. Colocara sua família em risco. Único passo em falso. Seu castelo podia desmoronar. Sua fortaleza podia ruir. Não sobraria pedra sobre pedra. Só o vazio da poeira.


Alguém entrava. Saiu com as mãos ainda molhadas. Seguiu pelo corredor. Som confuso de aulas diversas. Chegou ao pátio. Do outro lado, ela sorria enquanto conversava. Entre amigas. Aquele mesmo brilho que o fascinara. Uma aura encantadora no ar.


Comprou um café. Não conseguia desviar os olhos. Cada gesto gracioso acelerava seu coração. Era tarde. Caíra na rede e não saberia desvencilhar-se. Inebriado.

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