segunda-feira, 2 de abril de 2012

No centro

Apenas caminho. Um passo, depois outro. Tento evitar qualquer pensamento. Desvio os olhos. Não quero saber.

O centro é belo. A noite escura entrecortada pelas luzes amarelas. Largo de São Francisco, rumo da Sé. Minha vida é teórica, meus problemas filosóficos.

Quase piso em um corpo. Vivo, acho. Dormindo. Enrolado em um cobertor cinza. Cinza claro. Deveria ser mais escuro. Agora percebo um samba ao fundo. Samba pasteurizado, nem imagino de onde.

A aglomeração ao lado é por causa da sopa. Tantos. O som parece vir da kombi. Talvez de mais longe.

Pronto. Agora já vi. E senti. Aquele conhecido aperto no peito. Nada mais fará sentido. Fracassamos. Fizemos tudo errado.

O centro agora é triste. Eu somente devia ir ao metrô. Mas não consegui. Por mais um bom tempo, não chegarei a lugar algum.

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